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Os avanços e os desafios no fomento de tecnologias para uso de defesa e práticas civis

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O desenvolvimento de tecnologias com múltiplas funcionalidades é um dos vetores de ação dos setores produtivo e de inovação. A busca pelo uso dual – aplicações tanto para fins militares quanto civis – se torna cada vez mais imperiosa nos dias atuais. Essa necessidade foi o tema do painel “Inovação: Os saltos da tecnologia dual”, que compôs a grade do segundo dia do 6º Fórum Atech.

Este ano, o Fórum Atech ocorreu sob o mote “Future, NxT: O papel da Tecnologia e da Inovação para Governos, Pessoas e Organizações”. Nele, representantes do governo e da iniciativa privada, de instituições acadêmicas e do mercado debateram sobre soluções inovadoras, disruptivas e viáveis na construção de um futuro aliando eficiência e desenvolvimento econômico com qualidade de vida.

O Diretor de Negócios de Defesa e Segurança da Atech, Giacomo Staniscia, foi o moderador do painel “Inovação: Os saltos da tecnologia dual”. O evento contou com a participação do Major Brigadeiro do Ar Hudson Costa Potiguara, Diretor-Geral do DCTA (Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial); General de Divisão Robson Santana de Carvalho, Chefe do Centro Tecnológico do Exército Brasileiro; Contra-Almirante Sérgio Lucas da Silva, Diretor do Departamento de Ciência, Tecnologia e Inovação do Ministério da Defesa; Contra-Almirante Álvaro Luís de Souza Alves Pinto, Assessor-Chefe de CT&I da Diretoria-Geral de Desenvolvimento Nuclear e Tecnológico da Marinha (DGDNTM) e Superintendente Técnico do Centro Tecnológico da Marinha no Rio de Janeiro (CTMRJ) e Rodrigo Persico, Vice Presidente de Estratégia de Negócios da Embraer Defesa e Segurança.

O presidente da Atech, Edson Mallaco, deixou uma mensagem aos participantes e à audiência no início do painel: “Quero manifestar a nossa satisfação em receber todos neste evento, realizado com muito empenho para oferecer muito aprendizado e oportunidade de compartilhamento de conhecimento e experiência”.

Staniscia listou algumas das tecnologias largamente empregadas nos dias de hoje que seguem a filosofia dual. “Temos a Inteligência Artificial, robótica, computação quântica, evolução dos drones e carros autônomos, entre vários outros”.

Segundo ele, a inovação proporcionada pelas tecnologias de uso dual “gera soluções abertas, flexíveis e mais acessíveis”.

O Brigadeiro Potiguara destacou que os setores da aeronáutica e especial movimentam fartamente o uso dual da tecnologia, que vem resultando em ganhos de inovação tanto para os meios militares quanto empresariais. Ele citou como exemplo o KC-390, aeronave de transporte multimissão construído pela Embraer, como uma evolução do histórico caça AMX, concebido pela mesma empresa nos anos 1980.

“O KC-390 já agregou muito conhecimento científico, de quando a gente começou a implantar o AMX, e quando começamos a nos destacar tecnologicamente”. Ele ressaltou que essa evolução só ocorre quando há uma relação de simbiose entre governo, academia e indústria, chamada comumente de tríplice hélice. “Nada pode ser concebido, em termos de iniciativa, sem ter os três agentes atuando juntos”.

O general Robson Carvalho também destacou a importância da tríplice hélice na busca pela tecnologia dual. E afirmou que esse trabalho também é crucial para buscar autonomia em tecnologias consideradas sensíveis do ponto de vista estratégico. “No caso do CTEX (Centro de Tecnologia do Exército), para atender a uma necessidade operacional, a Base Industrial de Defesa nos acompanha desde o início de um projeto”.

Ele cita um exemplo da aplicação dual de uma tecnologia: os radares criados pela Embraer para os sistemas de defesa antiaérea de média altura. “Nesse sistema, para o radar secundário havia possibilidade de uso para o controle do tráfego aéreo”.

Uma tecnologia em evidência na atualidade, e que exemplifica essa sinergia entre os usos civil e militar, é a Conexão 5G. Segundo o Contra-Almirante Sérgio Lucas, a quinta geração da internet móvel representará uma revolução em termos de conectividade. “Se antes a tecnologia sempre esteve mais voltada às pessoas, agora estará focada nas máquinas”, explicou.

Um peso ou uma vantagem?

No painel, os participantes comentaram a exigência cada vez maior de que as tecnologias desenvolvidas inicialmente para fins militares possam ser empregadas também para uso civil. O Contra-Almirante Sérgio Lucas entende que esse tema hoje é muito debatido e cobrado. “O Brasil está nesse sentido, não há como não seguir essa tendência”.

Ele apontou que essa transposição do uso da tecnologia é facilitada pela transparência da sociedade nos dias atuais. “Hoje é tudo mais acessível, inclusive as informações sobre investimentos. Quando há investimento público na área militar, há mais discussão”.

No entanto, o militar afirma que a dualidade tecnológica deve ser algo natural e não impositivo. “É salutar transbordar o uso da tecnologia militar para emprego civil, mas ele não pode passar a ser uma imposição, sob pena de prejudicar a evolução dos projetos plenamente militares”.

O Contra-Almirante Souza segue a mesma linha de raciocínio. “Fomos criados sob a égide de a Força (Marinha) buscar a dualidade para justificar seu investimento, mas isso nem sempre é possível”.

Ele reforçou que a parceria com as empresas da Base industrial de Defesa e Segurança é crucial para o desenvolvimento tecnológico e que se trata de uma via de mão dupla. “A própria constituição dos submarinos convencionais vem capacitando as empresas brasileiras para trabalhar em um nível mais elevado”, afirma, referindo-se à futura construção de submarinos nucleares.

A própria tecnologia de veículos nucleares, segundo o Contra-Almirante Álvaro, “é totalmente dual, com os reatores sendo usados para movimentar submarinos e também fornecer energia para indústrias e cidades”.

Um ponto diferente foi apontado por Persico, “a dualidade, hoje, não é necessariamente um fardo para a indústria. Ela nos ajuda a ter maturidade e escalabilidade”. Para o executivo, o uso dual da tecnologia permite sua viabilidade não apenas do ponto de vista econômico, mas principalmente no campo técnico. “A gente pode ‘beber da fonte’ de anos de desenvolvimento de controles. A gente pega tudo que foi desenvolvido e gerado ao longo dos anos em função de um bem comum”.

O AMX voltou a ser citado como um exemplo dos benefícios do uso dual. Segundo Persico, a tecnologia do caça “maturou e migrou” para ações civis, retornando posteriormente para uma aplicação militar.

“Quando fizemos o AMX, na década de 80, a gente passou a aprender as bases de um controle de voo. O que foi iniciado, foi depois aprimorado e aplicado em nossa primeira família de Learjets, e depois nós evoluímos para a aviação executiva”, explicou. “E uma outra vantagem é que o conhecimento de comando e controle será incorporado na tecnologia dos navios da Classe Tamandaré”.

O painel ainda abordou outras temáticas como o desafios entre os países de capacidade de inovação, a importância da elevação do Brasil no ranking mundial de inovação, a integração efetiva entre academia e segmento produtivo, o aumento da qualidade da educação desde o nível básico e a relevância da interoperabilidadade.

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