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Os avanços e obstáculos para implantar transporte aéreo de passageiros e regulamentar atuação de drones nas grandes cidades

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Um novo cenário em termos de mobilidade urbana já começa a ser construído, com a adoção de novas tecnologias, inovação e muito preparo. A visão idealizada de um futuro promissor, estimulado pelos avanços tecnológicos, recebe seus primeiros contornos e se apronta para ocupar a realidade cotidiana. Esse foi o mote do painel “Os desafios da Mobilidade Urbana com os novos veículos aéreos”, que fez parte do primeiro dia de trabalhos do 6º Fórum Atech.

Com o tema “Future, NxT: O papel da Tecnologia e da Inovação para Governos, Pessoas e Organizações”, o evento debatendo a adoção de novos sistemas tecnológicos no dia a dia, em busca de mais eficiência, sustentabilidade e qualidade de vida.

O painel “Os Desafios da Mobilidade Urbana com os novos veículos aéreos” abordou as inovações e desafios surgidos com a popularização de drones para transporte de pequenas e médias cargas e os projetos de condução de passageiros pelo ar. O debate teve a moderação de Marcos Ribeiro Resende, diretor da Unidade de Negócios ATM da Atech e contou com a participação do Brigadeiro do Ar Sérgio Rodrigues Pereira Bastos Junior, Presidente da Comissão de Implantação do Sistema de Controle do Espaço Aéreo (CISCEA); do Coronel Aviador Chrystian Alex Scherk Ciccacio, Chefe do Serviço Regional de Proteção ao Voo de São Paulo (SRPV-SP); da Major Aviadora Daniele Lins, Chefe da Seção de Planejamento de Sistema de Aeronave Não Tripulada do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) e de Daniel Moczydlower, CEO da EmbraerX.

O presidente da Atech, Edson Carlos Mallaco, deu as boas-vindas aos participantes e destacou a pertinência do tema abordado. “As tecnologias disruptivas podem auxiliar governo, empresas e mudar vidas”.

Resende frisou que a realização do painel se casa com o cenário de grande expansão tecnológica vivida pelo país atualmente. Ele aponta que a discussão da mobilidade urbana sob o prisma do espaço aéreo comprova essa impressão. “Sempre imaginamos o futuro com carros voadores. E nunca estivemos tão perto de ver essa imagem do passado se tornar realidade”.

Além do transporte de passageiros, a logística de cargas também deve ser altamente impactada pela adoção de veículos voadores. “Já temos hoje entregas por drones. E (a logística para) a última milha, o último quilômetro, está sedenta por esse modal aéreo”.

O Brigadeiro Bastos Junior falou sobre o papel do DECEA e da CISCEA no gerenciamento do tráfego aéreo brasileiro, de natureza complexa dada as dimensões continentais do país. “Nosso sistema é um dos mais elogiados do mundo pela sua eficiência e segurança”.

Ele afirmou que as instâncias de controle têm atuado intensamente no estabelecimento de normas e adoção de tecnologias que possam manter o padrão de excelência na gestão do espaço aéreo urbano, com a chegada dos novos veículos de transporte aéreo. “Temos de estar na vanguarda, estar à frente com essa tecnologia, ao lado de nossos parceiros, mantendo o controle e o sincronismo de todos esses dados”, afirmou. “Tudo isso terá de continuar a ser integrado aos nossos sistemas. A gente sabe que vai ter de trabalhar muito para que isso aconteça”.

Gerenciamento aéreo

Por fim, o Brigadeiro vislumbra um cenário otimista para os próximos anos: “O futuro é o que a gente faz no presente, por isso já pensamos sobre como serão as nossas aerovias, engajados em prover a infraestrutura necessária para beneficiar a nação como um todo”.

Coronel Ciccacio abordou em suas falas, durante o fórum, o grande desafio de prover à região metropolitana de São Paulo e regiões próximas um sistema eficiente e seguro para novos veículos aéreos, tendo em perspectiva o atual cenário de intensa atividade aérea. “A rota São Paulo-Rio é hoje a quarta mais utilizada do mundo. Para se ter uma ideia, a rota Los Angeles-São Francisco está em nono lugar”, pontuou.

A concentração de rotas aéreas em uma pequena porção do território nacional é um desafio a mais para a adoção de novos modais. Segundo o Coronel, dos 12 maiores aeroportos do país, sete estão concentrados em uma pequena fatia do território brasileiro, que representa cerca de 0,5% dos 22 milhões de km2 monitorados hoje pela Força Aérea.

Além da intensidade do tráfego de aviões, o militar citou também o fluxo intenso de helicópteros na cidade de São Paulo, em contraste com outras grandes cidades do mundo, como Nova York. “Em Manhattan não se voa (de helicóptero), mas aqui é diferente. Em São Paulo é fundamental e precisa continuar”. Ele destaca que o sistema de controle adotado hoje faz com que esse tipo de transporte funcione de forma “mais amigável para a sociedade”, e completou, “com novas tecnologias, voar não será mais tão caro, o que deve popularizar este modelo de transporte urbano. O que precisamos é preparar nosso modelo de transporte aéreo neste sentido”.

A Major Daniele Lins trouxe números sobre as solicitações enviadas à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para uso de veículos aéreos não-tripulados, ou drones. Até 2015, o volume de pedidos era pequeno, chegando a apenas 133. Dois anos depois, o número saltou para 16 mil e, no ano seguinte, para 103 mil. “Somente este ano, até setembro, foram 113 mil solicitações”, comentou.

Ela explicou que o DECEA vem trabalhando na criação de ambientes específicos para gerenciamento de tráfego aéreo não tripulado. “Nós ainda não conhecemos todas as potencialidades dessas novas demandas e, para isso, precisamos de parceria com a Academia”, afirmou, destacando a importância dos segmentos responsáveis por pesquisa e tecnologia como apoio ao trabalho de gestão de tráfego. “É fácil imaginarmos que o futuro será diferente se considerarmos como nossos hábitos mudaram após o surgimento do GPS e dos smartphones. E as aeronaves não tripuladas terão um papel semelhante, causando um antes e depois em nossas vidas”.

eVTOL

Daniel Moczydlower destacou a atuação da Embraer X, uma empresa do grupo Embraer destinada a criar projetos inovadores e que vem trabalhando no desenvolvimento de um veículo de transporte aéreo de passageiros em parceria com a Uber, a conhecida empresa de transporte compartilhado.

Ele falou sobre o desenvolvimento do eVTOL, que deve revolucionar a mobilidade urbana nos próximos anos e apontou dois eixos de ação no desenvolvimento do projeto: conceber um veículo de propulsão elétrica e pouso na vertical e gestão eficiente do tráfego aéreo urbano.

“O novo veículo tem de ter um conceito diferente do helicóptero, em relação a ruído, acessibilidade e custos de operação, que precisa ser mais baixo para se tornar mais acessível. Toda essa disrupção só virá se o veículo for algo totalmente diferente”. Ele apontou a parceria com a Atech como crucial no processo. “Esse veículo vai fazer muito mais viagens, em comparação com o tráfego atual de helicópteros. Trazer essa expertise da Atech ajuda a ser um viabilizador nesse mercado”.

Coronel Ciccacio entende que São Paulo é um “terreno fértil” para o uso do eVTOL e prevê uma revolução com seu advento. “Ele é totalmente diferente do helicóptero. É mais barato, mais sustentável, com motores elétricos”. Ele pontuou que o veículo possui mais confiabilidade e é um produto com menor custo, inclusive de manutenção. “O custo por hora deverá ser até cinco vezes menor que o do helicóptero”.

Ele acredita que, a partir do momento em o eVTOL e outros veículos ocuparem os céus, a gestão de tráfego ganhará outra configuração, com a adoção de normas similares à do tráfego urbano terrestre.

Major Daniele destacou que, no futuro, o transporte de passageiros chegará a um novo patamar tecnológico, com o uso de aeronaves não-tripuladas. “O que vai garantir a entrada em segurança desses novos players, bem como nas naves tripuladas, é como a tecnologia é acomodada”.

Novos desafios

Além da regulamentação e da gestão do espaço aéreo, Moczydlower enumerou outros pontos que têm sido estudados e precisam ser levados em consideração. “Distribuição de energia, operação e manutenção, custos e rotas são questões da própria sociedade. São múltiplos atores desse ecossistema que estão integrados para que esse cenário possa se tornar realidade”.

Ele afirma que um fator preponderante para que a experiência do eVTOL seja exitosa é o apoio irrestrito da sociedade. “Ela precisa ver que é uma mudança positiva, que será um novo modal para facilitar suas vidas. A aviação comercial só começou a crescer em escala porque a sociedade se convenceu da segurança desse meio de transporte”.

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