Centralização de Planos de Voo
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Centralização de Planos de Voo traz ainda mais eficiência, tecnologia e segurança para o gerenciamento do espaço aéreo brasileiro

O Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), por meio da CISCEA (Comissão de Implantação do Sistema de Controle do Espaço Aéreo), implantou um novo sistema de gerenciamento do espaço aéreo brasileiro. A Centralização de Planos de Voo, desenvolvida em conjunto com a Atech, uma empresa do Grupo Embraer, é responsável pela unificação do trâmite de todos os planos de voos em território nacional. O sistema entrou em operação neste último domingo, dia 11.

O objetivo do projeto é a padronização de um caminho único para todas essas mensagens que visam a utilização do espaço aéreo brasileiro, buscando uma validação ainda mais segura e automatizada por meio do Sistema Integrado de Gestão de Movimentos Aéreos (SIGMA) – também desenvolvido pela Atech. A centralização garante um planejamento ainda mais estratégico, preciso e seguro para todos os envolvidos em operações de voos pelo país.

Para o Tenente-Brigadeiro do Ar Heraldo Luiz Rodrigues, Diretor-Geral do DECEA, “a adoção da centralização das intenções de voo no Brasil no Centro de Gerenciamento da Navegação Aérea (CGNA) é uma ação de extrema relevância para o DECEA, garantindo a confiabilidade e a disponibilidade do sistema 24 horas por dia, o que reforça a visão do Departamento em ser reconhecido como referência global em segurança, fluidez e eficiência no gerenciamento e controle integrado do espaço aéreo”.

O Major Aviador Marcio Rodrigues Ribeiro Gladulich, Gerente do Empreendimento e Chefe da Divisão Operacional da CISCEA, destaca que toda a concepção do projeto foi planejada para uma implantação de forma gradual, buscando o menor impacto possível para os usuários do Sistema de Controle do Espaço Aéreo Brasileiro (SISCEAB). “Apesar dos planos de voo passarem a percorrer o caminho centralizado a partir de abril de 2021, o processo será transparente, não havendo, nesse momento, necessidade de mudanças nos procedimentos dos usuários”.

A centralização constitui um novo paradigma de gerenciamento de planos de voo e suas mensagens de atualização. De acordo com o Coronel Aviador Marcelo Jorge Pessoa Cavalcante, Comandante do Centro de Gerenciamento da Navegação Aérea (CGNA), o Centralizador de Planos de Voo é um módulo do SIGMA que trará maior apoio ao serviço de gerenciamento de fluxo de tráfego aéreo prestado pelo CGNA – organização que permite, a partir das intenções de voo, a harmonização do fluxo de tráfego. “O fato de todos os planos de voo e mensagens associadas serem obrigatoriamente submetidos ao Centralizador traz mais eficiência e segurança nas atividades do CGNA, permitindo um planejamento completo e totalmente automatizado”, destaca o Comandante do CGNA.O sistema conta também com a funcionalidade de envio de planos em lote por parte das empresas aéreas, possibilitando uma integração entre os sistemas das companhias e o centralizador de planos de voo.

Visando ainda uma maior confiabilidade para o usuário, o projeto inclui funcionalidades como um código alfanumérico para identificação única de cada plano (IDPLANO), assegurando a rastreabilidade da informação em todo o sistema. “Isso vai garantir que o usuário tenha a certeza de que o seu plano de voo foi enviado e processado pelo SISCEAB, possibilitando maior segurança para as operações aéreas. A possibilidade de acompanhamento das intenções de voo por parte dos pilotos é um ponto crucial para o DECEA”, ressalta o Brigadeiro do Ar Eduardo Miguel Soares, Chefe do Subdepartamento de Operações (SDOP) do DECEA.

Para o desenvolvimento deste projeto de grande vulto, a CISCEA vem trabalhando, desde 2017, na concepção para tamanha implementação. Para o Major-Brigadeiro do Ar Sérgio Rodrigues Pereira Bastos Júnior, Presidente da CISCEA, “A responsabilidade pelo desenvolvimento e implantação deste projeto é motivo de orgulho e dedicação para toda a equipe. A concepção em que se baseia a Centralização dos Planos de Voo evidencia a busca constante do DECEA pelo desenvolvimento e aperfeiçoamento dos serviços aeronáuticos para o País”.

A Centralização do Plano de Voo também trará confiabilidade e disponibilidade do sistema 24 horas por dia por meio do novo Centro Reserva concebido no Instituto de Controle do Espaço Aéreo (ICEA), em São José dos Campos – SP. Esse Centro irá operar em paralelo com as mesmas capacidades de processamento do centro principal.

Antes, os planos de voo e mensagens de atualização percorriam diversos caminhos para procedimentos como análise e direcionamento. Os profissionais responsáveis pelo controle de voo utilizavam recursos diversos para executar atividades, como a rastreabilidade e a validação das mensagens. A grande mudança está na inserção do novo módulo do SIGMA, um centralizador que permitirá o tratamento das mensagens de Serviço de Tráfego Aéreo (ATS, do inglês Air Traffic Service).

Desta forma, os planos e mensagens dos operadores serão submetidos ao centralizador. Em seguida, encaminhados para as salas de Informações Aeronáuticas do Aeródromo (AIS, do inglês Aeronautical Information Service) para validação. Após esse passo, serão enviadas aos órgãos ATS responsáveis pelo voo.

“A entrada em operação da Centralização de Planos de Voo é certamente um marco importantíssimo para o desenvolvimento tecnológico brasileiro em uma área altamente estratégica para o país: a gestão do tráfego aéreo. Um avanço que reforça a ousadia, a competência e o compromisso com a otimização do setor, alinhado com o movimento de digitalização dos sistemas que a sociedade vem experimentando em inúmeras áreas”, ressaltou o presidente da Atech, Edson Mallaco.

Com a centralização de planos de voo, os pilotos, os despachantes operacionais de voo (DOV), poderão acompanhar os processamentos das intenções de voo em cada etapa.

O novo sistema se destaca por ser integrado e garantir ainda mais segurança e agilidade. “Não existe mais a possibilidade de um mundo que não seja digital, e esse avanço é fruto de uma visão estratégica concebida pelo DECEA e implementada primorosamente pela CISCEA. A Atech, parceira estratégica dessas duas organizações, se sente muito orgulhosa por fazer parte deste projeto e contribuir para o desenvolvimento do país e para o fortalecimento e a manutenção do conhecimento para a soberania e a sustentação tecnológica do Brasil”, conclui o diretor de negócios ATM da Atech, Marcos Resende.

Centralização de Planos de Voo

 

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CISCEA faz implantação de nova versão do SAGITARIO no ACC Brasília

Projeto de atualização do sistema de gestão e controle de tráfego aéreo foi realizado em conjunto com a empresa Atech, do Grupo Embraer, e está em operação no Centro de Controle de Área de Brasília desde janeiro

O SAGITARIO (Sistema Avançado de Gerenciamento de Informações de Tráfego Aéreo e Relatório de Interesse Operacional), sistema de gerenciamento e controle de tráfego aéreo em operação no Brasil e desenvolvido pela Atech, empresa do Grupo Embraer, em conjunto com o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), passou por atualizações recentes e sua nova infraestrutura de hardware foi implementada pela Comissão de Implantação do Sistema de Controle do Espaço Aéreo (CISCEA), no Centro de Controle de Área de Brasília (ACC-BS), em janeiro de 2021.

A partir dessa atualização, que teve todo o processo acompanhado pela Atech, o ACC-BS passou a operar com máquinas de última geração e com a versão mais recente do SAGITARIO. Foram realizados os Testes de Aceitação em Campo para realizar as atualizações, testes operacionais e análises dos documentos para integração do sistema.

Centro de Controle de Brasília: Sistema de gestão e controle de tráfego aéreo – SAGITARIO

As principais etapas dessa implantação contemplam o levantamento em campo, projetos executivos de instalação elétrica e eletrônica, planos e materiais para treinamento, procedimentos e testes de aceitação em campo, voo do Grupo Especial de Inspeção em Voo (GEIV) para validar o sistema, operação assistida, documentação definitiva e garantia”, explica Francisco Accacio Oliveira da Silva, Gerente de Projetos da Divisão Operacional da CISCEA.

Nos próximos dois meses, a CISCEA e a Atech acompanharão a operação do ACC-BS in loco, e, na sequência, darão início à implantação e modernização do Controle de Aproximação de Brasília (APP-BR), que também ganhará a nova versão do SAGITÁRIO, em processo previsto para ser finalizado ainda em 2021.

De acordo com o Brigadeiro do Ar Sérgio Rodrigues Pereira Bastos Junior, presidente da CISCEA, “a atualização do hardware e a instalação da versão mais atual do SAGITARIO no ACC-BS é um importante passo para a implementação da Centralização de Planos de Voo, projeto de extrema relevância do Subdepartamento de Operações (SDOP) do DECEA, reforçando o compromisso da CISCEA na implantação de sistemas, equipamentos e infraestrutura de ponta para as atividades de gerenciamento e controle”.

O SAGITARIO está em operação nos CINDACTAs de Brasília, Curitiba, Recife e Manaus, além de 18 APPs — São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Manaus, Belém, Fortaleza, Natal, Recife, Salvador, Vitória, Curitiba, Macaé, Pirassununga, Campo Grande, Porto Alegre, Porto Velho e Cuiabá.

“Fazer parte do desenvolvimento de sistemas e soluções que elevam o nível do Brasil no gerenciamento do tráfego aéreo, garantindo sua soberania em áreas estratégicas do país, reforçam o DNA integrador e tecnológico da Atech”, finaliza Marcos Resende, diretor de negócios ATM da Atech.

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Céus abertos para o vanguardismo da aviação brasileira

Brasil é considerado um dos cinco países mais desenvolvidos do setor e pode ganhar destaque em próxima eleição do órgão máximo da aviação no mundo

 O Brasil tem reafirmado seu papel de liderança e protagonismo na aviação civil mundial. A mais nova prova disso é a candidatura do Brigadeiro do Ar Ary Rodrigues Bertolino ao cargo máximo da maior entidade do segmento: Secretário-Geral da Organização de Aviação Civil Internacional – OACI, também conhecida por sua sigla em inglês ICAO, agência das Nações Unidas formada por 193 países e responsável por  promover o desenvolvimento seguro e ordenado da aviação civil mundial, por meio do estabelecimento de normas e regulamentos necessários para a segurança, eficiência e para proteção ambiental.

Sua indicação pode, portanto, consagrar a trajetória bem-sucedida do Brasil no controle de tráfego aéreo e o país como uma das principais lideranças no mundo na aviação civil internacional.

Conhecido por sólida experiência na área, visão ampla do setor, liderança, bom trâmite internacional e bom humor, Brigadeiro Bertolino ocupa hoje o posto de assessor aeronáutico da Delegação Brasileira na OACI, em Montreal, no Canadá e de Representante Alterno no Conselho da OACI. Sua candidatura ao cargo máximo da instituição se deu em função do seu conhecimento em administração de organizações complexas nos âmbitos regional, nacional e internacional, em recursos humanos, computacionais e financeiros em benefício dos Estados Membros da Organização.

Brigadeiro do Ar Ary Rodrigues Bertolino

Destaque internacional

Ao todo, são mais de 24 anos dedicados à OACI, exercendo, entre outros cargos, a vice-presidência do Grupo do Caribe a América Latina (LAC3) da CANSO, a relatoria do Grupo de Trabalho de Automatização e Base de Dados do Subgrupo AIS do Grupo Regional de Planejamento e Execução do Caribe e América do Sul (GREPECAS), além da atuação como membro do Painel para o Uso Aeronáutico da Internet Pública. Nos últimos quatorze anos, teve sob a sua supervisão a Agência Regional de Monitoração das Regiões do Caribe e América do Sul (CARSAMMA). Atualmente, exerce a função de Vice-Presidente do Grupo Regional de Planejamento e Execução do Caribe e América do Sul (GREPECAS).

Paralelamente, construiu sua trajetória como docente, instrutor, e assessor estratégico e chefe do Departamento de Efetividade Institucional do Colégio Interamericano de Defesa (IADC), em Washington DC – EUA.

Legitimamente brasileiro

Seu legado em solo e no céu brasileiro não é menos importante. Brigadeiro Bertolino já esteve à frente de diversos e relevantes projetos de desenvolvimento do tráfego aéreo no país: do planejamento de grandes eventos do Brasil como Rio + 20, Jornada Mundial da Juventude, Copa das Confederações 2013, Copa do Mundo FIFA 2014 e Jogos Olímpicos 2016, implantação do Sistema SISNOTAM no Brasil e no Uruguai, depois participar da ativação do Centro de Gerenciamento da Navegação Aérea (CGNA), uma nova Unidade da Força Aérea,  e da Central de Transporte de Órgãos do Ministério da Saúde dentro do CGNA, entre inúmeros outros projetos e iniciativas.

Parcerias

De acordo com o Brigadeiro, para o efetivo desenvolvimento da aviação no mundo é fundamental a parceria entre os entes do setor, a indústria e as universidades. “No Brasil, por exemplo, a Força Aérea Brasileira tem entre  suas parceiras,  a Atech, do Grupo Embraer,  que nas últimas duas décadas tem atuado em conjunto com a FAB para o domínio do sistema de trafégo aéreo, chegando hoje à  evolução e inovação de  soluções para a gestão e defesa de 100% do espaço aéreo brasileiro”, destaca ele, ao ressaltar que esse cenário tem contribuído para colocar o país entre os maiores players do segmento. No âmbito acadêmico, ele explica a relevância de uma atenção especial às universidades. “É fundamental trabalhar o conhecimento e a inovação para garantir a qualidade dos serviços nas próximas gerações”.

Desafios da aviação

Mas qual o futuro da aviação no mundo? Quais as pautas prioritárias que a OACI tem que abraçar nos próximos anos?

Para o Brigadeiro Bertolino, o segmento da aviação foi um dos mais impactos pela pandemia e deve ser um dos últimos a se recuperar, exigindo da OACI a condução do processo de retomada. “É um grande desafio trazer de volta a confiança do passageiro em suas viagens, mas precisamos de medidas para que isso aconteça de forma gradual e segura”, destaca.

Atech é parceira da FAB no desenvolvimento de sistemas para controle do espaço aéreo brasileiro

Outra grande bandeira está relacionada ao descompasso da inovação e da criação de normas regulamentadoras para o setor. “A aviação tem como uma de suas características principais a inovação, contudo, ela anda em uma velocidade muito maior que o processo de criação ou alteração de uma norma. Não podemos esperar, por isso devemos adotar mecanismos para agilizar a incorporação das inovações tecnológicas às publicações da OACI, muitas vezes isso pode ser feito com mudanças simples, em um processo de decisão colaborativa”, explica Bertolino, ao ressaltar que ainda é importante considerar as especificidades, capacidade de investimento, e de demanda de tráfego de cada país.

A disseminação e a popularização dos drones também é uma pauta relevante. Segundo o Brigadeiro Bertolino, a OACI apresentou um estudo recentemente destacando que, em uma cidade como Paris, daqui a cinco anos, a expectativa diária de circulação é de mais de 87 mil equipamentos. “Será preciso a um bom planejamento para o gerenciamento desses drones no mesmo espaço aéreo que as aeronaves”.

O candidato à secretário-geral na ICAO pontua também o novo cenário que deve surgir com a implantação, por diversos países, do ADS-B Satelital (Sistema de Vigilância Dependente Automática por Radiodifusão) de aeronaves, para a vigilância global de tráfego aéreo. “Certamente será um tema palpitante da instituição nos próximos anos”.

Por fim, o Brigadeiro Bertolino elencou a questão do meio ambiente como uma pauta relevante para ser debatida entre os países. “Há uma necessidade de buscar uma equalização entre a importância da preservação do meio ambiente e a força econômica ligada às empresas e aos países”.

A eleição para a cargo de secretário-geral da OACI será realizada em Montreal, entre fevereiro e março de 2021. Brigadeiro Bertolino afirma que, caso conquiste o posto, terá como foco a resolução de questões internas e externas com ética e transparência, priorizando a motivação e o bom ambiente de trabalho na instituição e suporte total ao Conselho em sua missão de definir as políticas e estratégias. Fomentará uma maior participação feminina no staff da OACI. Outro ponto importante será dar representatividade a todas as regiões do mundo, dentro da OACI. Além disso, abrirá um amplo canal de diálogo com todos os stakeholders da aviação e adotar medidas para benefício de todos os Estados Membros.

O Brigadeiro Bertolino será o Secretário Geral de todos os Estados-Membros.

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A importância da autonomia do conhecimento em momentos de crise

por Marcos Resende, diretor de negócios da Atech

Não há dúvidas de que a crise causada pela pandemia do novo coronavírus tem muito a nos ensinar. Afinal, parece que são nas fases de maior dificuldade que nos deparamos com momentos mais reflexivos e atentamos para questões que envolvem não apenas o nosso cotidiano, o nosso universo particular, mas também o de outras pessoas. Parece óbvio dizer o quanto o coletivo impacta as nossas vidas, mas com o novo coronavírus realmente nos demos conta disso, de como nos afeta em diferentes esferas.

É comum também levarmos nossas memórias para eventos passados e traçar paralelos entre a crise corrente e outros momentos críticos, como guerra ou épocas de escassez aguda de um recurso.

No presente momento, as principais dificuldade encontradas têm sido a falta de recursos em diferentes segmentos. Da mesma forma que ocorre em situações de guerra, tem-se notado a insuficiência de profissionais da área da saúde para suportar as atividades do dia a dia, assim como a carência de materiais de proteção individual para aqueles que estão trabalhando na linha de frente e a ausência de equipamentos médico hospitalares.

Um caso que ganhou notoriedade nos noticiários brasileiros foi o dos respiradores artificiais adquiridos por diversos estados e que ficaram retidos no exterior. Segundo informações publicadas pelos veículos de comunicação, a empresa que vendeu os produtos para o Brasil cancelou a compra sem motivo aparente e que os mesmos acabaram sendo utilizados no combate ao novo coronavírus em outro país, que teria acertado pagar um valor maior à empresa que vendeu os equipamentos. O ocorrido causou uma distensão não imaginada na sociedade e nas relações entre os países envolvidos.

Diante desse ocorrido, há um questionamento que certamente passou pela cabeça de muitos brasileiros: por que nosso país é tão dependente de insumos de tecnologias vindas de fora?

Em situações como a que ocorreu com o Brasil é que percebemos a importância do conhecimento e das técnicas produtivas para o desenvolvimento dos recursos necessários para o enfrentamento da pandemia, ou de qualquer outro episódio que condicione o país a uma situação de evento não preditivo.

Mesmo para os países que possuem autonomia do conhecimento, a situação não é das mais favoráveis. Imagine para aqueles que dependem quase que totalmente dos insumos vindos do exterior. O estado se vê obrigado a desenvolver ou criar formas alternativas de suprir esta negação e buscar alternativas de produção a qualquer preço, sob pena de perder vidas durante os momentos mais graves.

No entanto, o desenvolvimento do conhecimento e de tecnologias críticas para uma nação é, geralmente, difícil e demorado e envolve questões como geração, transferência, absorção/adaptação e utilização. Para que isso saia do papel, é necessário consolidar uma visão estratégica em momentos de calmaria e prosperidade.

A visão estratégica da Força Aérea Brasileira (FAB) na consolidação de conhecimentos críticos para operação dos sistemas de gerenciamento de tráfego aéreo e de defesa aérea é um bom exemplo de autonomia tecnológica no país. E, desde os anos 1990, a organização vem investindo amplamente neste segmento. Primeiro com o sistema X-4000 de controle de tráfego aéreo, que permitiu a independência tecnológica e a sedimentação de conhecimento no país, e, a partir de 2011, com o Sistema Avançado de Gerenciamento de Informações de Tráfego Aéreo e Relatórios de Interesse Operacional (SAGITARIO), ambos desenvolvidos pela Atech, empresa nacional e pertencente ao Grupo Embraer. Antes do X-4000 e do SAGITARIO, o sistema utilizado era importado e a cada atualização ou necessidade de manutenção o Brasil ficava refém do país desenvolvedor da solução. O SAGITARIO trouxe autonomia, modernidade, flexibilidade e melhor aproveitamento dos profissionais brasileiros para o gerenciamento do espaço aéreo nacional, para além dos benefícios relacionados diretamente à nossa economia, tendo se tornado um produto tipo exportação.

Embora estivesse há muitos anos utilizando os sistemas vindos do exterior no segmento de tráfego aéreo, a FAB se planejou e deu início à sua jornada de independência muito antes de 2011, reforçando o real valor do investimento na formação, desenvolvimento e manutenção de tecnologias próprias. Esse projeto não teria ganhado vida sem visão estratégica, planejamento, defesa da indústria e da capacitação nacional.

Na globalização, o vínculo entre conhecimento, poder, desenvolvimento e tecnologia é responsável pelo estabelecimento de diferenças econômicas e posições comerciais. Países como o Brasil, que estão em desenvolvimento e almejam ser menos dependentes devem se concentrar no estabelecimento de estratégias que elevem sua autonomia tecnológica, investindo em soluções próprias para problemas específicos, essencialmente os que tenham ligação estreita com setores-chave da economia, além de empregar esforços efetivos e contínuos em programas de pesquisa e inovação, incentivos ao desenvolvimento nacional, manutenção de conhecimentos críticos, desenvolvimento da indústria e preservação de empregos.

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