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Energia: “Novo normal” leva o mercado a acelerar adoção de novas tecnologias

Com a pandemia do Covid-19 e a recomendação de isolamento social, diversas concessionárias de energia cancelaram a medição presencial e passaram a cobrar com base na média dos últimos seis meses, já que ainda são pouquíssimos os medidores inteligentes, que permitem a medição remota, em funcionamento. O problema é que muitos clientes foram surpreendidos com o alto valor de suas contas.

Os medidores inteligentes permitem a entrega de uma fatura com um valor extremamente confiável e novos modelos de tarifação, medição e cobrança, identificando os horários de pico e o comportamento de consumo de cada região para determinar diferentes preços para a energia consumida em diferentes horários.

Mesmo com o fim da pandemia, será que voltaremos a circular com tanta liberdade como antes da chegada do vírus? Ou o “novo normal” será evitarmos nos expor a riscos desnecessários? Será que as concessionárias voltarão a ter colaboradores encarregados pela medição manual ou mesmo tantas equipes de manutenção, ou vão começar a acelerar a adoção de novas tecnologias que vão automatizar tarefas antes presenciais e manuais?

O processo de adoção de novas tecnologias já vem impulsionando a transformação digital no setor de energia, e concessionárias como a EDS, por exemplo, já utilizam a tecnologia de Redes MESH oferecida pela Atech para conexão de religadores. Segundo Ricardo Hayashi, product manager da Atech em Conexões Inteligentes, a solução de Rede MESH tem atendido à demanda do setor de energia por apresentar maior eficiência no monitoramento remoto dos religadores e, também, da medição inteligente.

Tecnologia para medição e manutenção remota

Um exemplo prático está na identificação da ausência de energia em uma determinada área. Com tecnologia de Redes MESH a distribuidora EDS pode restabelecer parte do serviço e redirecionar o fornecimento de energia de forma rápida e remota, sem a necessidade de aguardar a presença física de profissionais que atuariam “in loco”, contribuindo para manter o distanciamento do “novo normal”, já que menos colaboradores serão necessários para solucionar o problema.

As Redes MESH também contribuem para melhorar a medição remota de consumo de energia. Hayashi destaca que a tecnologia de Redes MESH auxilia o monitoramento, o controle e o diagnóstico da estrutura da rede de distribuição de energia, disponibilizando o acesso a todas as informações em qualquer período e local – inclusive com uma tabela estatística do nível de demanda de energia para auxiliar a identificação, por exemplo, de sobrecarga nas subestações.

“Dessa forma”, diz o especialista, “as Redes MESH permitem responder com agilidade a problemas que possam afetar as redes de distribuição e o fornecimento de energia. É uma forma de resolver em minutos um problema que levaria horas para ser solucionado de forma manual, sem a necessidade de custos de deslocamento de equipes e, principalmente, entregar um melhor nível de serviço ao cliente”.

O “novo normal” e o novo setor de energia

Segundo um estudo divulgado no final de abril pela AIE (Agência Internacional de Energia), a pandemia de Covid-19 representa o maior choque para o sistema global de energia em mais de sete décadas, com a queda na demanda neste ano ultrapassando o impacto da crise financeira de 2008 e resultando em um declínio anual recorde nas emissões de carbono de quase 8%.

Segundo executivos da AIE, ainda é muito cedo para determinar os impactos a longo prazo, mas eles afirmam que o setor de energia que emergirá dessa crise será significativamente diferente daquele que veio antes.

As projeções do estudo Global Energy Review da AIE sobre demanda de energia e emissões relacionadas a energia para 2020 são baseadas em suposições de que os bloqueios implementados em todo o mundo em resposta à pandemia serão progressivamente aliviados na maioria dos países nos próximos meses, acompanhados por uma recuperação econômica gradual.

As energias renováveis devem ser a única fonte de energia que registrarão crescimento em 2020, com participação na geração global de eletricidade graças ao acesso prioritário às redes e aos baixos custos operacionais. Apesar dos problemas nas cadeias de suprimentos que interromperam ou atrasaram a implantação de novas tecnologias em várias regiões importantes este ano, a energia solar fotovoltaica e a energia eólica deverão ajudar a elevar a geração de eletricidade renovável em 5% em 2020, auxiliada por uma maior produção de energia hidrelétrica.

O relatório projeta que a demanda de energia cairá 6% em 2020 – sete vezes o declínio após a crise financeira global de 2008. Em termos absolutos, o declínio é sem precedentes – o equivalente a perder toda a demanda de energia da Índia, o terceiro maior consumidor de energia do mundo. As economias avançadas devem ter os maiores declínios, com a demanda caindo 9% nos Estados Unidos e 11% na União Europeia. O impacto da crise na demanda de energia depende fortemente da duração e do rigor das medidas para conter a propagação do vírus. Por enquanto, o cenário é de incertezas, e a única certeza que podemos ter é que será preciso investir em novas tecnologias para que o setor de energia mantenha a sua competitividade.

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Atech é destaque na revista Air Traffic Technology

O setor de gerenciamento de tráfego aéreo foi um dos mais afetados durante a pandemia de Covid-19. A Atech, responsável pelo fornecimento do sistema que opera no Brasil e em outras partes do mundo, teve de encontrar formas alternativas de continuar entregando suas soluções, testes de aceitação e manutenção durante o lockdown. Por meio da tecnologia e de ações remotas, a empresa conseguiu transpor os desafios. Sua atuação ganhou destaque em uma das principais publicações do mercado do setor aéreo, a Air Traffic Technology. Confira abaixo.

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6° e-Fórum Atech começa com busca por soluções inteligentes para os desafios urbanos

Entre os dias 29/09 e 1º/10 foi realizado o 6° e-Fórum Atech, que este ano trouxe como debate o tema “Future, NXT: o papel da tecnologia e da inovação para governos, pessoas e organizações”.

Na abertura do evento, o presidente da Atech, Edson Mallaco, destacou o compromisso da empresa com o desenvolvimento tecnológico, a inovação e a criatividade e explicou o propósito do fórum. “Queremos traçar uma rota rumo ao futuro com o que, de fato, a inovação e a tecnologia podem contribuir com a evolução da sociedade”.

Os desafios urbanos e o papel de tecnologias como Big Data, Data Mining, Business Intelligence, Internet das Coisas e dados obtidos via observação por satélite no futuro das cidades foram debatidos no painel de abertura do evento, conduzido pelo gerente de negócios da Atech, Claudio Nascimento. Na ocasião, os painelistas puderam trocar visões e experiências sobre os impactos dessas soluções nos campos da gestão, segurança pública, mobilidade e meio ambiente.

A importância da conectividade foi apontada pelo secretário de Inovação e Desenvolvimento Econômico de São José dos Campos, Alberto Alves Marques Filho. Segundo ele, a chegada do 5G deve provocar um grande salto de qualidade nesse processo. “A face mais exposta da transição de uma agenda tradicional das cidades para uma outra mais provocativa e completa, que inclui as novas tendências, é a conectividade”, disse ele, ao reforçar que as tecnologias vão chegar a municípios mais distantes e eles caminharão para a adaptação ao conceito de cidades inteligentes. “Acredito que as pequenas cidades passarão por esse processo mais rapidamente que os grandes centros urbanos, até mesmo pelo tamanho do desafio”, completou.

Outro viés de relevância destacado pelo secretário que está cada vez mais presente nas agendas modernas e inovadoras é o Meio Ambiente. “Toda gestão pública séria leva em conta a questão da sustentabilidade a cada passo que dá”, afirmou.

Ao apontar ainda a necessidade de foco em qualidade de vida dos cidadãos, Marques Filho afirmou que o processo de desburocratização digital deve ser prioridade de todo governo. “Isso já vem acontecendo ao longo dos últimos anos, mas precisa ser acelerado para aprimorar o relacionamento entre a administração pública e a sociedade”.

Na mesma linha, o Major Paulo Augusto Aguilar, chefe de Divisão no Comando de Policiamento de Choque da Polícia Militar do Estado de São Paulo (PMESP) falou do empoderamento do cidadão com o surgimento da internet e das redes sociais, o avanço das tecnologias e a transformação digital. “Isso modificou o mundo para sempre, fragmentou o status quo”, disse ele, ao destacar que vídeos, textos, áudios, imagens e redes sociais formam grandes sensores acumulados. Lembrou ainda do papel de centros de fusão de dados dos COPOMs (Centro de Operações da Polícia Militar), vistos como ecossistemas relevantes para o processo decisório.

Major Aguilar falou também sobre como essas tecnologias podem auxiliar na integração das áreas de segurança, saúde e assistência social e no auxílio eficiente à sociedade. Soluções tecnológicas podem viabilizar, por exemplo, em caso de um incidente, que um hospital tenha informações do estado de saúde de um ferido mesmo antes dele chegar ao local, as famílias possam encontrar seus entes queridos mais facilmente e uma viatura possa chegar a uma localidade mesmo antes de as vítimas terem ciência de um perigo iminente.  “Podemos prestar um serviço personalizado, eficiente e ágil”.

Questões do Meio Ambiente foram o foco da participação de Alex Paiva Rampazzo, superintendente de Gestão Ambiental e Territorial da Valec, que reforçou a importância do tripé: sustentabilidade, resiliência e eficiência.

Pensando em sustentabilidade, não é possível, segundo o painelista, trabalhar apenas o lado ambiental, sem pensar também em inputs econômicos ou sociais, pois se trata de um grande ecossistema, uma parte afeta a outra.

Já o item resiliência é o princípio da sustentabilidade, para Rapazzo. “Precisamos adquirir a capacidade de, após sofrer grande impacto, voltar ao patamar anterior e crescer”, disse ele, ao exemplificar sua fala com a atual situação de pandemia no mundo.

Por fim, a eficiência diz respeito a fazer mais com menos. “O mundo é um ciclo fechado, não entra recursos de fora, por isso, devemos encontrar soluções inteligentes para explorá-los’, disse ele ao dar como exemplo um tratamento mais refinado da água do que no início do século, em virtude do aumento da poluição, ou novas alternativas de extração de ferro, que agora ocupa regiões mais profundas ou inexploradas e afastadas.

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Os avanços e obstáculos para implantar transporte aéreo de passageiros e regulamentar atuação de drones nas grandes cidades

Um novo cenário em termos de mobilidade urbana já começa a ser construído, com a adoção de novas tecnologias, inovação e muito preparo. A visão idealizada de um futuro promissor, estimulado pelos avanços tecnológicos, recebe seus primeiros contornos e se apronta para ocupar a realidade cotidiana. Esse foi o mote do painel “Os desafios da Mobilidade Urbana com os novos veículos aéreos”, que fez parte do primeiro dia de trabalhos do 6º Fórum Atech.

Com o tema “Future, NxT: O papel da Tecnologia e da Inovação para Governos, Pessoas e Organizações”, o evento debatendo a adoção de novos sistemas tecnológicos no dia a dia, em busca de mais eficiência, sustentabilidade e qualidade de vida.

O painel “Os Desafios da Mobilidade Urbana com os novos veículos aéreos” abordou as inovações e desafios surgidos com a popularização de drones para transporte de pequenas e médias cargas e os projetos de condução de passageiros pelo ar. O debate teve a moderação de Marcos Ribeiro Resende, diretor da Unidade de Negócios ATM da Atech e contou com a participação do Brigadeiro do Ar Sérgio Rodrigues Pereira Bastos Junior, Presidente da Comissão de Implantação do Sistema de Controle do Espaço Aéreo (CISCEA); do Coronel Aviador Chrystian Alex Scherk Ciccacio, Chefe do Serviço Regional de Proteção ao Voo de São Paulo (SRPV-SP); da Major Aviadora Daniele Lins, Chefe da Seção de Planejamento de Sistema de Aeronave Não Tripulada do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) e de Daniel Moczydlower, CEO da EmbraerX.

O presidente da Atech, Edson Carlos Mallaco, deu as boas-vindas aos participantes e destacou a pertinência do tema abordado. “As tecnologias disruptivas podem auxiliar governo, empresas e mudar vidas”.

Resende frisou que a realização do painel se casa com o cenário de grande expansão tecnológica vivida pelo país atualmente. Ele aponta que a discussão da mobilidade urbana sob o prisma do espaço aéreo comprova essa impressão. “Sempre imaginamos o futuro com carros voadores. E nunca estivemos tão perto de ver essa imagem do passado se tornar realidade”.

Além do transporte de passageiros, a logística de cargas também deve ser altamente impactada pela adoção de veículos voadores. “Já temos hoje entregas por drones. E (a logística para) a última milha, o último quilômetro, está sedenta por esse modal aéreo”.

O Brigadeiro Bastos Junior falou sobre o papel do DECEA e da CISCEA no gerenciamento do tráfego aéreo brasileiro, de natureza complexa dada as dimensões continentais do país. “Nosso sistema é um dos mais elogiados do mundo pela sua eficiência e segurança”.

Ele afirmou que as instâncias de controle têm atuado intensamente no estabelecimento de normas e adoção de tecnologias que possam manter o padrão de excelência na gestão do espaço aéreo urbano, com a chegada dos novos veículos de transporte aéreo. “Temos de estar na vanguarda, estar à frente com essa tecnologia, ao lado de nossos parceiros, mantendo o controle e o sincronismo de todos esses dados”, afirmou. “Tudo isso terá de continuar a ser integrado aos nossos sistemas. A gente sabe que vai ter de trabalhar muito para que isso aconteça”.

Gerenciamento aéreo

Por fim, o Brigadeiro vislumbra um cenário otimista para os próximos anos: “O futuro é o que a gente faz no presente, por isso já pensamos sobre como serão as nossas aerovias, engajados em prover a infraestrutura necessária para beneficiar a nação como um todo”.

Coronel Ciccacio abordou em suas falas, durante o fórum, o grande desafio de prover à região metropolitana de São Paulo e regiões próximas um sistema eficiente e seguro para novos veículos aéreos, tendo em perspectiva o atual cenário de intensa atividade aérea. “A rota São Paulo-Rio é hoje a quarta mais utilizada do mundo. Para se ter uma ideia, a rota Los Angeles-São Francisco está em nono lugar”, pontuou.

A concentração de rotas aéreas em uma pequena porção do território nacional é um desafio a mais para a adoção de novos modais. Segundo o Coronel, dos 12 maiores aeroportos do país, sete estão concentrados em uma pequena fatia do território brasileiro, que representa cerca de 0,5% dos 22 milhões de km2 monitorados hoje pela Força Aérea.

Além da intensidade do tráfego de aviões, o militar citou também o fluxo intenso de helicópteros na cidade de São Paulo, em contraste com outras grandes cidades do mundo, como Nova York. “Em Manhattan não se voa (de helicóptero), mas aqui é diferente. Em São Paulo é fundamental e precisa continuar”. Ele destaca que o sistema de controle adotado hoje faz com que esse tipo de transporte funcione de forma “mais amigável para a sociedade”, e completou, “com novas tecnologias, voar não será mais tão caro, o que deve popularizar este modelo de transporte urbano. O que precisamos é preparar nosso modelo de transporte aéreo neste sentido”.

A Major Daniele Lins trouxe números sobre as solicitações enviadas à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para uso de veículos aéreos não-tripulados, ou drones. Até 2015, o volume de pedidos era pequeno, chegando a apenas 133. Dois anos depois, o número saltou para 16 mil e, no ano seguinte, para 103 mil. “Somente este ano, até setembro, foram 113 mil solicitações”, comentou.

Ela explicou que o DECEA vem trabalhando na criação de ambientes específicos para gerenciamento de tráfego aéreo não tripulado. “Nós ainda não conhecemos todas as potencialidades dessas novas demandas e, para isso, precisamos de parceria com a Academia”, afirmou, destacando a importância dos segmentos responsáveis por pesquisa e tecnologia como apoio ao trabalho de gestão de tráfego. “É fácil imaginarmos que o futuro será diferente se considerarmos como nossos hábitos mudaram após o surgimento do GPS e dos smartphones. E as aeronaves não tripuladas terão um papel semelhante, causando um antes e depois em nossas vidas”.

eVTOL

Daniel Moczydlower destacou a atuação da Embraer X, uma empresa do grupo Embraer destinada a criar projetos inovadores e que vem trabalhando no desenvolvimento de um veículo de transporte aéreo de passageiros em parceria com a Uber, a conhecida empresa de transporte compartilhado.

Ele falou sobre o desenvolvimento do eVTOL, que deve revolucionar a mobilidade urbana nos próximos anos e apontou dois eixos de ação no desenvolvimento do projeto: conceber um veículo de propulsão elétrica e pouso na vertical e gestão eficiente do tráfego aéreo urbano.

“O novo veículo tem de ter um conceito diferente do helicóptero, em relação a ruído, acessibilidade e custos de operação, que precisa ser mais baixo para se tornar mais acessível. Toda essa disrupção só virá se o veículo for algo totalmente diferente”. Ele apontou a parceria com a Atech como crucial no processo. “Esse veículo vai fazer muito mais viagens, em comparação com o tráfego atual de helicópteros. Trazer essa expertise da Atech ajuda a ser um viabilizador nesse mercado”.

Coronel Ciccacio entende que São Paulo é um “terreno fértil” para o uso do eVTOL e prevê uma revolução com seu advento. “Ele é totalmente diferente do helicóptero. É mais barato, mais sustentável, com motores elétricos”. Ele pontuou que o veículo possui mais confiabilidade e é um produto com menor custo, inclusive de manutenção. “O custo por hora deverá ser até cinco vezes menor que o do helicóptero”.

Ele acredita que, a partir do momento em o eVTOL e outros veículos ocuparem os céus, a gestão de tráfego ganhará outra configuração, com a adoção de normas similares à do tráfego urbano terrestre.

Major Daniele destacou que, no futuro, o transporte de passageiros chegará a um novo patamar tecnológico, com o uso de aeronaves não-tripuladas. “O que vai garantir a entrada em segurança desses novos players, bem como nas naves tripuladas, é como a tecnologia é acomodada”.

Novos desafios

Além da regulamentação e da gestão do espaço aéreo, Moczydlower enumerou outros pontos que têm sido estudados e precisam ser levados em consideração. “Distribuição de energia, operação e manutenção, custos e rotas são questões da própria sociedade. São múltiplos atores desse ecossistema que estão integrados para que esse cenário possa se tornar realidade”.

Ele afirma que um fator preponderante para que a experiência do eVTOL seja exitosa é o apoio irrestrito da sociedade. “Ela precisa ver que é uma mudança positiva, que será um novo modal para facilitar suas vidas. A aviação comercial só começou a crescer em escala porque a sociedade se convenceu da segurança desse meio de transporte”.

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Inovação é a criação de algo novo que cause impacto e gere valor e não incrementos sucessivos do velho

O impacto da inovação e das novas tecnologias nos negócios e pessoas foi a temática de abertura do segundo dia do 6° e-Fórum Atech.

Aspectos ligados ao papel dos governos, do setor privado e das universidades no processo de inovação foram tratados pelos painelistas Claudio Caiani Spanó, diretor presidente da COMPASS, Cristiano Lincoln Mattos, CEO da TEMPEST, e Denis Balaguer, diretor do Centro Inovação da Ernst Young.

Ponto pacífico entre os três painelistas é a definição de inovação como a criação de algo novo que cause impacto e gere valor e melhore o negócio de alguma forma.

Especialista no tema, Spanó explicou que a engenharia de confiabilidade é uma ciência que permite, por meio de análise de dados, avaliar a probabilidade de um processo parar ou causar um acidente e quando isso pode acontecer. Geralmente é aplicada na manutenção e gestão de ativos e no desenvolvimento de novos produtos.

Segundo ele, a Indústria 4.0 prega a aplicação de diversas tecnologias no negócio, entretanto, antes disso, existe um outro patamar, que nem sempre é lembrado. “Para uma efetiva gestão de ativos, a integração dos dados e informações é essencial”, disse ele, ao destacar que muitas vezes há sistemas espalhados que não conversam e, portanto, dificultam a composição e a análise para a geração de processos de suporte às decisões.

A cibersegurança é outro tema que tem ganhado destaque nos últimos anos, cenário que foi reforçado durante a pandemia do novo coronavírus. Especialista no assunto, Lincoln Mattos afirmou que a inovação na área surge com o profundo conhecimento da realidade e dos problemas das empresas. “A maioria das nossas soluções nasceram a partir de uma necessidade do próprio cliente”, ressaltou, ao ponderar que a segurança nunca pode ser um entrave ao processo de inovação do empreendedorismo.

Essa proximidade é uma das bases da inovação em cibersegurança, de acordo com o painelista, que também aponta como outro pilar a adaptação aos crimes cibernético, espionagem, fraudes ou outras atividades maliciosas. “Vivemos um universo de ataque e defesa. Do outro lado, sempre temos um outro humano, tão inteligente e ferramentado como nós”, enfatizou ele, ao afirmar que esse cenário merece ação. “Nada em segurança é estático, tudo está sempre em um contexto de mudança e adaptação, portanto, de inovação”.

Ao destacar que o processo de reinvenção das empresas toma estratégias diferentes, uns trabalhando na fronteira tecnológica, outros na inovação de produtos e serviços e outros no modelo de negócios, Balaguer ponderou sobre a importância do desmonte e de alguns mitos relacionados à novação. “Ela não está ligada a um indivíduo criativo, mas sim a um processo sistemático, com metodologia e métrica”.

Para o executivo da Ernst Young, por se tratar de um processo empresarial, a inovação está baseada em três pilares que visam a sua inserção no DNA do negócio: Intenção – estabelecimento de onde se quer chegar; Cultura – estímulo a comportamentos de trocas de experiências, interação, experimentação e aprendizado; e Estrutura – ferramentas adequadas, processos bem desenhados e pessoas qualificadas.

O incentivo e a integração entre governo, empresas e academia também foram apontados pelos três como uma necessidade em favor da inovação e do desenvolvimento.

Spanó lembrou que, na década de 80, Brasil e Coréia do Sul integravam um patamar econômico similar e, depois de 20 anos, o  país asiático mostrou desenvolvimento significativamente superior. “O que teve de diferente? Investimento massivo em pesquisa e desenvolvimento”, respondeu, ao lembrar que é preciso incentivar a inovação. Quanto à academia, o painelista apontou para a necessidade de uma ação colaborativa entre todos os agentes do processo. “Todo mundo sai ganhando, inclusive o país”.

Lincoln Mattos afirmou que o governo, como provedor de inovação e serviços à sociedade, tem muitos desafios a enfrentar, mas também agrega casos de sucesso, como o processo eleitoral, com as urnas eletrônicas, e o sistema de declaração de imposto de renda, via internet. “Casos positivos de inovação em escala continental”. Já sobre o papel da academia, o painelista disse que esses arranjos societários são muito positivos e que são as universidades que têm a semente para fazer florescer a inovação.

Já Balaguer ressaltou que a inovação é papel estratégico das empresas. Pela própria necessidade do negócio, contudo, o governo precisa criar um ambiente econômico de fomento. Também lembrou que o Brasil não tem um histórico e uma trajetória de universidades criadas a partir de demandas de negócios, como outros países, por isso, deve criar incentivos de aceleração.

O 6° e-Fórum Atech colocou em debate o tema “Future, NxT – o papel da tecnologia e da inovação para governos, pessoas e organizações” e o segundo dia foi marcado pelo subtema “O papel da inovação: os novos passos da tecnologia (dual) aplicada”. O painel da manhã contou com a moderação do diretor de TI e Inovação da Atech, Mauro do Santo Junior, e a participação do presidente da Atech, Edson Mallaco.

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Futuro também passa pela integração entre governo, indústria e academia

Integração foi a palavra-chave do painel da manhã do terceiro e último dia do 6° e-Fórum Atech. Desafios da integração como sigilo, segurança, segurança cibernética, burocracia, interoperabilidade, qualificação profissional, educacional e empreendedorismo e união de esforços entre defesa, governo e indústria, além da eficácia dos sistemas integrados, foram tratados no debate.

Os trabalhos foram conduzidos pelo presidente da Atech, Edson Mallaco, e contaram com as presenças do Almirante de Esquadra Almir Garnier Santos, secretário-Geral do Ministério da Defesa; General de Divisão Guido Amin Naves, comandante de Defesa Cibernética do Exército); General de Divisão Adalmir Domingos, coordenador Executivo de Conselhos e Departamentos da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP); e Oswaldo Massambani, professor Titular da USP e Sócio Diretor da OM InovaTech.

A interoperabilidade foi apontada pelo Almirante de Esquadra Almir Garnier Santos como fundamental. “A integração é fundamental desde os processos e sistemas administrativos até em sistemas de comando e controle, sistemas militares de defesa e entre a defesa aérea e suas unidades”.

Para o Almirante, com toda a complexidade do Ministério da Defesa, a interoperabilidade é um grande desafio e, ao mesmo tempo, ponto essencial para unir as forças armadas, integrar demais ministérios e viabilizar a proteção de toda essa rede. Segundo ele, a chegada do 5G e a consequente ampliação da conectividade trarão uma integração ainda não vista e destacou a importância de aplicar essas tecnologias em favor do país.

Por outro lado, o painelista alertou para uma maior vulnerabilidade trazida pela integração. “A proteção de nossos dados também é um grande desafio e precisamos impedir que outros explorem nossa troca de dados e trabalho conjunto”.

Na mesma linha, o General de Divisão Guido Amin Naves enumerou uma série de vantagens trazidas pela integração, mas reforçou o aumento da demanda pela proteção cibernética. “Queremos usufruir as benesses desse ambiente altamente tecnológico sem sofrer intempéries trazidas por ele”. Segundo o militar, a agilidade na promoção de soluções é fundamental nessa área. “A integração na segurança cibernética demanda agilidade para que sejamos efetivos. Com isso, processos de obtenção precisam ser menos burocráticos e demorados para, assim, não tornarem a solicitação obsoleta.”

Ao comentar que a palavra “colaboração” é a mais utilizada na literatura cibernética, o general destacou que a segurança é um desafio para toda a nação e seus múltiplos atores como participantes de vários conectivos. Inclusive, ressaltou a importância da inclusão dessa temática nas escolas, desde a educação básica até as universidades.

Para o General de Divisão Adalmir Domingos não há como falar em integração e em inovação e emprego de tecnologia sem tratar de sustentabilidade.

Ao lembrar que o Brasil é signatário de uma agenda da Organização das Nações Unidas (ONU), que elencou 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), o painelista afirmou que a competitividade passa pela adoção da economia circular, aquela embasada na redução, recuperação, reciclagem e reutilização de materiais e energia. “A indústria não vai superar os desafios se não tiver a universidade ao seu lado e o governo fomentando e facilitando o acesso dos empreendedores”, disse.

O Brasil ocupou, este ano, a 62ª colocação no índice global de inovação, em um ranking com 131 países. Segundo o professor Massambani, há boas perspectivas para a mudança desse quadro com a realização das reformas tributária e administrativa. “Certamente elas contribuirão de forma relevante para posicionar melhor o nosso país perante o mundo”.

Ao pontuar diversos obstáculos burocráticos e jurídicos para a realização de parcerias colaborativas, Massambani enfatizou que a lei 13.243, de 2016, marco regulatório de incentivo e inovação, promoveu a eliminação de várias dessas barreiras. “Sem insegurança jurídica, podemos aliar esforços integrados e nos comprometermos na execução de projetos colaborativos entre o setor público e o setor privado”, disse.

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Debate sobre as práticas sustentáveis aponta novos caminhos para a indústria e a economia

Em uma economia cada vez mais globalizada, e onde as mudanças ocorrem em progressão geométrica, atender às demandas do mercado internacional são fundamentais para sobreviver à forte concorrência. E poucas demandas são mais urgentes e imperiosas que a adoção de práticas sustentáveis na produção e oferta de produtos e serviços. Esta foi a linha matriz do debate realizado no painel “O que não parou foi a Indústria: preparando-se para o futuro sustentável”, que fechou o 6º Fórum Atech.

Com o tema “Future, NxT: O papel da Tecnologia e da Inovação para Governos, Pessoas e Organizações”, o evento discutiu a adoção de novos sistemas tecnológicos no dia a dia, em busca de maior eficiência e produtividade sem abrir mão da sustentabilidade e da qualidade de vida.

Representantes do governo e da iniciativa privada, de instituições acadêmicas e do mercado colocaram opiniões e propostas em debate, de forma virtual, destacando que a sustentabilidade exige esforços e práticas de todos os agentes sociais para funcionar plenamente.

Dessa forma, toda a abordagem do painel enfocou o papel da inovação no novo século, que vem como resultado de um ciclo complexo, da combinação de diversos fatores, interesses e elementos que se unem em sinergia, apresentando o conceito de Hélice Quíntupla, que une indústria, Estado, academia e sociedade civil e ambiente com preocupação ecológica, em prol de uma sustentabilidade de longo prazo, considerando padrões verdes.

O painel “O que não parou foi a Indústria: preparando-se para o futuro sustentável”, foi moderado pelo gerente executivo & head da unidade B2B da Atech, Jefferson Inácio de Castro. Participaram do debate: General de Brigada Marcelo Carvalho Ribeiro, Diretor da DMAT EB (Diretoria de Material do Exército Brasileiro); Pedro Mizutani, Presidente do Conselho do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) e Conselheiro da Cosan e da União das Indústria da Cana (UNICA); Sóstenes Arruda, Diretor Jurídico da Associação Comercial e Industrial de Anápolis (ACIA), Diretor do Comdefesa-GO, Membro do Fórum Aliança pela Inovação em Goiás, do Conselho de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (CDTI) da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (FIEG) e Sócio Diretor da empresa Griffin Consultoria em Negócios; e Elso Alberti Junior, Diretor de Desenvolvimento de Negócios do Parque Tecnológico São José dos Campos.

O General de Brigada Marcelo Carvalho Ribeiro afirmou que as Forças Armadas têm adotado cada vez mais práticas sustentáveis em suas operações e que esse é um grande desafio para todo o país. Ele destacou os problemas ambientais surgidos no país e que isso sempre aciona um alerta. “A partir da crise, o Exército tem de estar sempre pronto”.

Ele comentou que um dos desafios enfrentados é aproximar, cada vez mais, as entidades governamentais da iniciativa privada e dos institutos de pesquisa e tecnologia, para buscar novas soluções. “O diálogo é um fator primordial. Precisamos entender que vivemos em um único ecossistema e que o sucesso de uma empresa ou de uma pessoa tem de vir com o sucesso dos demais agentes”.

Outro aspecto abordado por ele foi a necessidade de aprimoramento constante da logística. “Ela está em tudo. Precisamos ter um bom nível de prontidão logística, buscar tecnologias para melhorar processos, aquisição de insumos, o que precisa de suprimento imediato, o ter ciência do que depende do exterior, e outras medidas.

Sóstenes Arruda endossou os comentários do General e destacou os acordos que vêm sendo realizados no estado de Goiás entre governo do Estado, prefeituras, empresas e associações para criar ações mais fortes. “O Brasil tem de ter um sentido de corpo. O governo não pode ir para um lado e a indústria para outro”.

A abordagem da sustentabilidade ganhou novos contornos na fala de Arruda. Ele frisou a necessidade de o Brasil se tornar cada vez mais autossuficiente em produtos essenciais e que a pandemia tornou isso ainda mais notório na área de saúde. “Nós precisamos ampliar os investimentos no sistema público e garantir que a indústria tenha condições de fabricar as matérias primas e os medicamentos”, explicou. “Não podemos depender apenas das cadeias globais de suprimentos de materiais”.

Elso Alberti Junior falou da relação de simbiose que existe entre as empresas do Parque Tecnológico São José dos Campos, entidades governamentais e órgãos de pesquisa. E que a solução para o país deslanchar economicamente, e de forma sustentável, é gerar produtos e serviços de maior valor agregado. “Para a nossa indústria é preciso gerar não só commodities. Temos de pensar em adicionar valor às nossas exportações. Se não fizermos nada, em dez anos a indústria vai ter uma participação irrisória no PIB”, afirmou.

Em sua visão, a inovação é o caminho para atingir esse objetivo de gerar maior valor nas exportações. “Os parques tecnológicos têm a missão de promover, de maneira adequada, estrutura sustentável para que o conhecimento chegue ao mercado”.

Pedro Mizutani destacou o potencial do agronegócio para a inovação e geração de valor nas exportações, defendido por Alberti Júnior. Segundo ele, os grandes produtores sempre investiram em tecnologia e na pesquisa, para obter novas variedades de produtos, mas que a adoção de novos equipamentos tecnológicos não era muito aceita pelos pequenos agricultores.

“Isso mudou com a pandemia, porque eles precisaram se adaptar às mudanças”, explica. “A pandemia nos ensinou muita coisa, como a valorização da ciência e da união da sociedade como um todo”.

Ainda de acordo com Mizutani, a adoção de novas tecnologias têm sido fundamentais para a redução de custos e que a indústria precisa trabalhar mais para atender às demandas do campo. “Precisa haver uma modernização. Empresas têm buscado formas de atender o pequeno agricultor com ajustes de preços, formas e transferência de tecnologia”.

Sustentabilidade ambiental

O painel seguiu com as impressões dos participantes em relação a como governo, indústria e academia têm lidado com a questão das práticas de sustentabilidade ambiental. O General Ribeiro comentou que todo organismo, seja público ou privado, é chamado a esse desafio. “É preciso olhar o mundo e as pessoas de forma diferente. Os relacionamentos devem ser aperfeiçoados e o sucesso está baseado no (cuidado com o) meio ambiente.

Ribeiro explica que, para adotar ações sustentáveis, é preciso criar novos dispositivos tecnológicos. “Temos obrigação de gerar e despertar inovação. E isso vai acontecer quando a gente comunicar nossas demandas. Então, temos de chamar o diálogo com os fornecedores”.

Mizutani comentou que o setor agrícola deu um grande salto rumo à sustentabilidade, com a abolição de antigas práticas como a queima da cana. E concorda com o general sobre a importância de investir em pesquisa e tecnologia para adotar novas práticas de preservação ambiental. Em algumas operações, há 30 anos, se usava produtos baseado em chumbo. Depois, passamos a usar outros produtos. Hoje, usamos ultravioleta. A sustentabilidade é muito importante”.

Sóstenes frisou que, em um ambiente altamente competitivo, a inovação surge como um diferencial de crescimento. E que a adoção de práticas sustentáveis é um dos pilares desse pensamento disruptivo. “Toda empresa que é líder de um segmento, ao adotar medidas de sustentabilidade, vai influenciar o mercado e seus concorrentes”. A criação de indicadores de qualidade ambiental também deve fazer diferença no futuro. “O IBGE, em breve, vai calcular o PIV, Produto Interno Verde, assim como faz com o PIB”.

Ele também destacou as ações coordenadas para preservar matas nativas próximo a áreas de cultivo como uma ação de impacto até mesmo para as exportações. “Goiás apoia o pequeno produtor para ele manter uma pequena área, evitar que entre fogo e caçador”. Segundo ele, o governo estadual realiza o inventário daquela área, monetiza e emite títulos a serem apresentados no mercado externo. “Isso permite entrada do produto em mercados mais restritivos, como a Europa”.

Elso Alberti Junior endossou as opiniões anteriores de que setor de alta tecnologia abre novas possibilidades de crescimento econômico com sustentabilidade. E que a busca por inovação vem criando uma nova mentalidade empresarial. “Nossa produção industrial era muito focada na lucratividade. Depois passou a se pensar na qualidade, com o certificado ISO 9001 sendo mandatório”, analisou. “Depois, a atenção foi para a segurança do trabalho. Agora, é a sustentabilidade. É algo a ser incorporado naturalmente nas empresas, até porque é uma questão de competitividade”.

Ele avaliou que sociedade vem impondo, cada vez mais, ações positivas da indústria. E que as empresas precisam ter meios para atender a essas demandas. “Quando falamos em inovação é como se fosse uma pregação. A gente acredita, de fato, que esse é um caminho de transformação no país. Nós não caminharemos sem cultura ambiental, cultura de sustentabilidade, de segurança devidamente enraizada nas nossas empresas. Isso já vai acontecer”.

Ao encerrar o painel, Jefferson Inácio de Castro reforçou a necessidade de colocar a sustentabilidade na pauta de qualquer discussão visando o presente e o fututo. “É uma questão inevitável e primordial e devemos sempre nos dispor de novas tecnologias e da inovação para nos auxiliar nesse processo”, disse.

 

CategoriesForum Atech

Os avanços e os desafios no fomento de tecnologias para uso de defesa e práticas civis

O desenvolvimento de tecnologias com múltiplas funcionalidades é um dos vetores de ação dos setores produtivo e de inovação. A busca pelo uso dual – aplicações tanto para fins militares quanto civis – se torna cada vez mais imperiosa nos dias atuais. Essa necessidade foi o tema do painel “Inovação: Os saltos da tecnologia dual”, que compôs a grade do segundo dia do 6º Fórum Atech.

Este ano, o Fórum Atech ocorreu sob o mote “Future, NxT: O papel da Tecnologia e da Inovação para Governos, Pessoas e Organizações”. Nele, representantes do governo e da iniciativa privada, de instituições acadêmicas e do mercado debateram sobre soluções inovadoras, disruptivas e viáveis na construção de um futuro aliando eficiência e desenvolvimento econômico com qualidade de vida.

O Diretor de Negócios de Defesa e Segurança da Atech, Giacomo Staniscia, foi o moderador do painel “Inovação: Os saltos da tecnologia dual”. O evento contou com a participação do Major Brigadeiro do Ar Hudson Costa Potiguara, Diretor-Geral do DCTA (Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial); General de Divisão Robson Santana de Carvalho, Chefe do Centro Tecnológico do Exército Brasileiro; Contra-Almirante Sérgio Lucas da Silva, Diretor do Departamento de Ciência, Tecnologia e Inovação do Ministério da Defesa; Contra-Almirante Álvaro Luís de Souza Alves Pinto, Assessor-Chefe de CT&I da Diretoria-Geral de Desenvolvimento Nuclear e Tecnológico da Marinha (DGDNTM) e Superintendente Técnico do Centro Tecnológico da Marinha no Rio de Janeiro (CTMRJ) e Rodrigo Persico, Vice Presidente de Estratégia de Negócios da Embraer Defesa e Segurança.

O presidente da Atech, Edson Mallaco, deixou uma mensagem aos participantes e à audiência no início do painel: “Quero manifestar a nossa satisfação em receber todos neste evento, realizado com muito empenho para oferecer muito aprendizado e oportunidade de compartilhamento de conhecimento e experiência”.

Staniscia listou algumas das tecnologias largamente empregadas nos dias de hoje que seguem a filosofia dual. “Temos a Inteligência Artificial, robótica, computação quântica, evolução dos drones e carros autônomos, entre vários outros”.

Segundo ele, a inovação proporcionada pelas tecnologias de uso dual “gera soluções abertas, flexíveis e mais acessíveis”.

O Brigadeiro Potiguara destacou que os setores da aeronáutica e especial movimentam fartamente o uso dual da tecnologia, que vem resultando em ganhos de inovação tanto para os meios militares quanto empresariais. Ele citou como exemplo o KC-390, aeronave de transporte multimissão construído pela Embraer, como uma evolução do histórico caça AMX, concebido pela mesma empresa nos anos 1980.

“O KC-390 já agregou muito conhecimento científico, de quando a gente começou a implantar o AMX, e quando começamos a nos destacar tecnologicamente”. Ele ressaltou que essa evolução só ocorre quando há uma relação de simbiose entre governo, academia e indústria, chamada comumente de tríplice hélice. “Nada pode ser concebido, em termos de iniciativa, sem ter os três agentes atuando juntos”.

O general Robson Carvalho também destacou a importância da tríplice hélice na busca pela tecnologia dual. E afirmou que esse trabalho também é crucial para buscar autonomia em tecnologias consideradas sensíveis do ponto de vista estratégico. “No caso do CTEX (Centro de Tecnologia do Exército), para atender a uma necessidade operacional, a Base Industrial de Defesa nos acompanha desde o início de um projeto”.

Ele cita um exemplo da aplicação dual de uma tecnologia: os radares criados pela Embraer para os sistemas de defesa antiaérea de média altura. “Nesse sistema, para o radar secundário havia possibilidade de uso para o controle do tráfego aéreo”.

Uma tecnologia em evidência na atualidade, e que exemplifica essa sinergia entre os usos civil e militar, é a Conexão 5G. Segundo o Contra-Almirante Sérgio Lucas, a quinta geração da internet móvel representará uma revolução em termos de conectividade. “Se antes a tecnologia sempre esteve mais voltada às pessoas, agora estará focada nas máquinas”, explicou.

Um peso ou uma vantagem?

No painel, os participantes comentaram a exigência cada vez maior de que as tecnologias desenvolvidas inicialmente para fins militares possam ser empregadas também para uso civil. O Contra-Almirante Sérgio Lucas entende que esse tema hoje é muito debatido e cobrado. “O Brasil está nesse sentido, não há como não seguir essa tendência”.

Ele apontou que essa transposição do uso da tecnologia é facilitada pela transparência da sociedade nos dias atuais. “Hoje é tudo mais acessível, inclusive as informações sobre investimentos. Quando há investimento público na área militar, há mais discussão”.

No entanto, o militar afirma que a dualidade tecnológica deve ser algo natural e não impositivo. “É salutar transbordar o uso da tecnologia militar para emprego civil, mas ele não pode passar a ser uma imposição, sob pena de prejudicar a evolução dos projetos plenamente militares”.

O Contra-Almirante Souza segue a mesma linha de raciocínio. “Fomos criados sob a égide de a Força (Marinha) buscar a dualidade para justificar seu investimento, mas isso nem sempre é possível”.

Ele reforçou que a parceria com as empresas da Base industrial de Defesa e Segurança é crucial para o desenvolvimento tecnológico e que se trata de uma via de mão dupla. “A própria constituição dos submarinos convencionais vem capacitando as empresas brasileiras para trabalhar em um nível mais elevado”, afirma, referindo-se à futura construção de submarinos nucleares.

A própria tecnologia de veículos nucleares, segundo o Contra-Almirante Álvaro, “é totalmente dual, com os reatores sendo usados para movimentar submarinos e também fornecer energia para indústrias e cidades”.

Um ponto diferente foi apontado por Persico, “a dualidade, hoje, não é necessariamente um fardo para a indústria. Ela nos ajuda a ter maturidade e escalabilidade”. Para o executivo, o uso dual da tecnologia permite sua viabilidade não apenas do ponto de vista econômico, mas principalmente no campo técnico. “A gente pode ‘beber da fonte’ de anos de desenvolvimento de controles. A gente pega tudo que foi desenvolvido e gerado ao longo dos anos em função de um bem comum”.

O AMX voltou a ser citado como um exemplo dos benefícios do uso dual. Segundo Persico, a tecnologia do caça “maturou e migrou” para ações civis, retornando posteriormente para uma aplicação militar.

“Quando fizemos o AMX, na década de 80, a gente passou a aprender as bases de um controle de voo. O que foi iniciado, foi depois aprimorado e aplicado em nossa primeira família de Learjets, e depois nós evoluímos para a aviação executiva”, explicou. “E uma outra vantagem é que o conhecimento de comando e controle será incorporado na tecnologia dos navios da Classe Tamandaré”.

O painel ainda abordou outras temáticas como o desafios entre os países de capacidade de inovação, a importância da elevação do Brasil no ranking mundial de inovação, a integração efetiva entre academia e segmento produtivo, o aumento da qualidade da educação desde o nível básico e a relevância da interoperabilidadade.

CategoriesNXT

Indústria 4.0: curva de adoção tem que acontecer agora

Líderes de negócios de todo o mundo estão correndo contra o tempo para ganhar vantagem competitiva a partir dos seus investimentos nas tecnologias e soluções que fazem parte do conceito de Indústria 4.0 antes do “ponto de inflexão” da curva de adoção, já pensando na retomada da economia após a pandemia.

O sociólogo Everett Rogers, em seu livro “Teoria de Difusão da Inovação”, identificou cinco personas conforme o seu estágio na curva de adoção de inovação: Innovators, Early Adopters, Early Majority, Late Majority, and Laggards.

Os Early Adopters da Indústria 4.0 podem esperar obter uma maior vantagem competitiva da transformação digital, em contraste com os que fazem parte dos grupos Late Majority e Laggards que simplesmente parecem estar presos ao passado. A maioria dos fabricantes líderes, grandes e pequenos, está atualmente procurando etapas práticas e maneiras sustentáveis ​​de investir em digital transformação para que possa obter os benefícios competitivos de estar na primeira parte da curva de adoção.

Antecipando o ROI

Mas os casos de uso da Indústria 4.0 geralmente exigem investimentos em novas tecnologias, que não são amortizados no mesmo ano. No entanto, os investimentos iniciais podem muitas vezes ser minimizados aplicando a abordagem de MVP (Mínimo Produto Viável), ou seja, pensando em um lançamento no menor prazo possível enquanto ainda fornece um valor comercial relevante em uma determinada área.

O ROI (Return on Investment) do MVP geralmente chega em meses e permite que as empresas provem o potencial econômico do caso de uso e implantem ciclos que maximizem a lucratividade. Com essa abordagem, o lançamento em grande escala pode ser feito por um caso de negócio claro, geralmente com cronogramas de ROI e investimentos mais direcionados do que o inicialmente previsto.

O ecossistema de produção

A Indústria 4.0 é que vai capacitar a implantação da “fábrica inteligente”, um ambiente verdadeiramente produtivo, com benefícios para os fabricantes e para os consumidores, como comunicação aprimorada, monitoramento em tempo real, análise avançada de dados e autodiagnóstico.

Quando pensamos no cenário ideal, uma fábrica inteligente, onde as tecnologias fazem parte do topo da curva de adoção da inovação, é automatizada e automonitorada de forma flexível, onde máquinas, insumos e humanos se comunicam, poupando os colaboradores para outras tarefas produtivas e, finalmente, otimizando os processos de design e produção para aumentar a eficiência operacional.

Sob as camadas, no entanto, existem desafios críticos para fabricantes, como gerenciamento de dados, funcionários com mais qualificação e o risco de incidentes cibernéticos, para os quais felizmente existem etapas e medidas preventivas.

Flexibilidade e eficiência

A implantação do conceito e tecnologias da Indústria 4.0 estão revolucionando as linhas de produção, digitalizando processos, e otimizando a qualidade, manutenção, planejamento, previsão, inovação e descoberta, tempo de colocação no mercado, a eficiência da cadeia de suprimentos e muitos outros aspectos do ecossistema de produção. A captura de dados digitais e fluxo de dados estão permitindo um grau de flexibilidade e eficiência que irá gerar custos de produção significativamente menores, por conta do aumento de escala, agilidade e lucratividade.

A questão sobre a transformação digital na manufatura não é mais “se” investir nela, mas “quando” fazê-lo. Na maioria dos mercados, os Early Adopters que investem em novas tecnologias ou modelos de negócios obtêm uma vantagem competitiva – às custas de

concorrentes que não adotaram. Para os Late Adopters do mercado, o investimento em novas tecnologias ou modelos continua sendo necessário, mas a possibilidade de ganhar competitividade e vantagem desaparece, e eles passam a ser um Laggard, simplesmente alinhados à nova norma do mercado.

Líderes de negócio na área de manufatura estão, portanto, reconhecendo a importância de estar na faixa dos Early Adopters para ficar à frente da concorrência. O mercado está chegando rapidamente ao ponto de inflexão, quando a maioria dos mercados terá adotado a nova tecnologia e modelo de negócios. Esse prazo é ainda mais urgente pela percepção de que esses Late Adopters provavelmente não vão conseguir alcançar a eficiência e lucratividade obtida pelos Early Adopters, independentemente de quando os Late Adopters conseguirem chegar ao topo da curva.

O “novo normal”

As organizações devem considerar uma visão holística da Quarta Revolução Industrial e as maneiras pelas quais ela muda o negócio. A Indústria 4.0 é mais do que apenas tecnologias avançadas: trata-se das maneiras pelas quais essas tecnologias são reunidas e como as organizações podem aproveitá-las para impulsionar as operações e o crescimento.

Provavelmente, a Indústria 4.0 é a razão pela qual não apenas sairemos dessa crise do Covid-19, mas também porque nosso comportamento profissional inevitavelmente mudará no futuro.

São as tecnologias da Indústria 4.0 que estão permitindo às empresas manterem seus negócios em tempo de pandemia, simplificando nossa capacidade de realizar várias tarefas e contribuindo para o trabalho sem estar acorrentado aos limites de um espaço de trabalho centralizado. Nas últimas décadas, a Indústria 4.0 vem otimizando os benefícios da computação móvel e, portanto, os benefícios do trabalho móvel, agora só precisamos começar a adotá-lo ativamente como o “novo normal”.

CategoriesManutenção

Um Guia Inicial para Manutenção Preditiva

A manutenção preditiva se aproveita dos dados enviados por sensores embarcados nos ativos, ajudando as empresas a ampliar o seu ciclo de vida e reduzir custos operacionais. Esses ativos podem variar de motores de aeronaves, turbinas, elevadores, tratores ou resfriadores industriais – que custam milhões – até aparelhos comuns, como fotocopiadoras, máquinas de café ou refrigeradores de água.

A maioria das empresas ainda depende de manutenção corretiva, onde as peças são substituídas quando elas falham. A manutenção corretiva garante que as peças sejam usadas completamente (portanto, não desperdiça a vida útil dos componentes), mas custa aos negócios maior tempo de inatividade, mão-de-obra e requisitos de manutenção não programada (horas de folga ou locais inconvenientes).

No próximo nível, as empresas praticam manutenção preventiva, onde determinam a vida útil de uma peça e a mantém ou substitui antes de uma falha. A manutenção preventiva evita falhas não programadas e que podem resultar em gandes paradas. Mas os altos custos do tempo de inatividade programado, subutilização do componente durante sua vida útil e mão-de-obra ainda permanecem.

Já o o objetivo da manutenção preditiva é otimizar o equilíbrio entre manutenção corretiva e preventiva, permitindo a substituição pontual dos componentes. Essa abordagem somente substitui esses componentes quando eles estão próximos de uma falha. Ao estender a vida útil dos componentes (em comparação com a manutenção preventiva) e reduzir os custos não programados de manutenção e mão-de-obra (comparado com a manutenção corretiva), as empresas podem obter economia de custos e vantagens competitivas.

A manutenção preditiva depende de testes e monitoramento de equipamentos durante a operação – também chamados de monitoramento de condições do ativo – para fornecer dados sobre o desempenho atual da máquina, a fim de prever problemas e evitar falhas com o monitoramento e análise em tempo real executado em uma plataforma única de gestão de ativos, como a OKTO.

Como criar um programa de manutenção preditiva

Adicionar um programa de manutenção preditiva às atividades de uma organização não é tão fácil quanto parece. Vamos avaliar as etapas necessárias para uma transição bem-sucedida.

1. Estabelecer uma estratégia

Migrar para manutenção preditiva é um processo, não um evento. Envolve alterações de hardware, alterações de software e, acima de tudo, alterações na cultura de fabricação e de manutenção. O sucesso começa com o planejamento estratégico.

Especialmente em ambientes complexos de manufatura, tentar implantar a manutenção preditiva em todos os ativos simultaneamente é um caminho rápido para a fracasso, geralmente com entrega de dados provenientes de diversas fontes, mais do que a equipe está pronta para transformar em inteligência.

A melhor abordagem é começar pequeno, com um programa piloto focado. Escolha um único problema para resolver. Seja paciente – o objetivo é estabelecer um processo robusto e registrar um sucesso.

2. Escolha o ativo certo para testar

Fazer uma transição suave para a manutenção preditiva depende do sucesso do programa piloto. Isso começa com a escolha do ativo certo a ser monitorado. Existem várias classes básicas que se prestam à manutenção preditiva e a resultados rápidos, como ativos com histórico de falhas, criticidade, entre outros parâmetros.

3. Desenvolva um programa piloto de manutenção preditiva para provar o sucesso

A manutenção preditiva utiliza uma variedade de tecnologias para monitorar a condição do ativo. É importante corresponder o prazo às necessidades do aplicativo. Alguns métodos permitem detectar problemas antes da falha do equipamento, mas você deve considerar a quantidade de aviso prévio necessário para agir.

4. Defina um procedimento de resposta

O próximo passo de um plano de manutenção preditiva é estabelecer um procedimento para responder a anomalias. Se o plano se basear no monitoramento contínuo das condições on-line, o procedimento é tão simples quanto aguardar instruções do técnico. Com base em suas análises, ele provavelmente indicará uma das três direções:

  • Desligar imediatamente.
  • Executar por um tempo limitado, se necessário, para atingir a meta de produção.
  • Executar indefinidamente e continuar monitorando até o tempo de inatividade programado regularmente. Nesse caso, os parâmetros devem ser definidos em relação a qualquer comportamento que exija o desligamento imediato da máquina.

5. Crie uma estratégia de análise de dados

Antes de escalar para vários ativos, uma estratégia de análise de dados deve ser estabelecida. Isso é particularmente importante para o monitoramento on-line contínuo. Os volumes de dados são grandes o suficiente para consumir quantidades significativas de espaço de armazenamento e largura de banda, além de todo a expertise para os coletar e analisar.

E como o core da sua empresa provavelmente não é o desenvolvimento de tecnologia, a melhor estratégia é contar com a parceria de uma empresa capaz de não só entregar as soluções necessárias para a implantar a manutenção preditiva, como a OKTO, como também contribuir para o sucesso da estratégia.

6. Escale a manutenção preditiva para mais ativos

Depois de provar o sucesso do programa piloto e identificar os recursos necessários para monitorar os dados, retorne à lista de ativos identificados como candidatos ao programa piloto. Isso pode incluir ativos críticos, problemáticos, difíceis de obter ou difíceis de substituir, bem como ativos em locais remotos e aqueles com histórico de falhas. Embora seja ideal desenvolver programas de manutenção preditiva para todos os ativos acima, considere o custo do tempo de inatividade e o potencial retorno do investimento para cada ativo e priorize a partir daí.

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